Joshuu 701-Gô:Sasori (女囚701号:さそり) [1972-1973]

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  Pink Eiga é uma categoria de cinema japonês (talvez o mais correto seja um movimento) que abrange uma variedade de gêneros, tendo o erotismo como principal característica pelo que compreendi. Na década de 70 a Toei produziu diversos longas dentro desta categoria, gerando a subcategoria pinky violence. São filmes de exploitation (outra categoria bem abrangente, relacionada a exagero em violência e sexo geralmente), com protagonistas femininas fortes, violência e erotismo. Alguns dos maiores representantes deste pinky violence são os filmes da franquia Joshuu 701-Gô:Sasori (Prisioneira 701: Escorpião), especialmente os quatro primeiros, lançados entre 1972 e 1974, dos quais trata o post.

  Baseados no mangá homônimo de 1970 de Tohru Shinohara, focam na saga de Nami Matsushima, apelidada de Sasori na prisão, onde torna-se endurecida e mortal devido aos inúmeros abusos que sofre. A série tem a vingança como um dos principais temas, relacionado principalmente a opressão masculina sofrida pela protagonista.

   Embora os filmes sejam continuação direta uns dos outros, não é obrigatório assisti-los em ordem. Funcionam como contos no mesmo universo, sendo diferentes inclusive em gênero cinematográfico. Além da protagonista, os filmes possuem em comum a atriz principal Meiko Kaji  e os 3 primeiros a direção por Shunya Itou.

   É difícil saber o quanto é fiel ao mangá ou até sobre a qualidade deste, já que não encontrei nada sobre na internet, apenas que ele parece ter sido popular. O  sucesso de Sasori incentivou outras adaptações cinematográficas de obras de Tohru Shinohara como Zero Woman.

  Uma dos principais forças dos filmes é Meiko Kaji, com o belo desempenho  num papel com pouquíssimas falas, dependente de suas expressões faciais, com destaque para os olhares. A interpretação parece bem inspirada em faroestes, sendo comparada inclusive com Clint Eastwood nos seus tempos de pistoleiro. Vale ressaltar que assim como em outros filmes protagonizados por ela da época, as músicas cantadas nos filmes são interpretadas por ela, com o destaque para a linda canção tema Urami Bushi (escrita pelo diretor Shunya Itou), que inclusive foi utilizado na trilha sonora de Kill Bil de Quentin Tarantino.

A série também é conhecida pelos toques de surrealismo e teatralidade, especialmente nos 3 primeiros. Num clássico caso de “estilo sobre substância”, o que torna estes filmes especiais são as experimentações visuais e a atmosfera.

  Há críticas às instituições e à opressão masculina, com traços de empoderamento feminino, mas os exageros e erotização dos filmes acaba colocando em cheque os seus discurso.

Abaixo as sinopses resumidas e comentários sobre cada um dos filmes (os títulos contém links para os trailers):

Joshuu 701-gô:Sasori [1972]SONY DSC

  Após ser usada pelo corrupto detetive Sugimi, com quem viveu um romance, Nami Matsushima é presa ao tentar matá-lo. Ela passa os dias tentando fugir para completar sua vingança, o que a torna cada vez mais alvo de represália na prisão. O fato dela saber de seus esquemas preocupa o detetive, que deseja eliminá-la definitivamente.

  O primeiro dos longas é um exemplo do subgênero “mulheres em prisão”, contendo tudo o que se espera disso: tortura, conflitos entre prisioneiras, guardas cruéis e nudez. Seu diferencial está na atenção ao visual, especialmente num flashback “teatral” que nos mostra a origem da protagonista.

  Talvez o mais estranho sejam as lutas, pois os golpes passam bem longe dos alvos, tirando a credibilidade de certas cenas, embora em outras funcione como toque artístico.

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Joshuu sasori: Dai-41 zakkyo-bô (女囚さそり 第41雑居房) [1972]SONY DSC

   Admirada pelas prisioneiras por nunca ter mostrado fraqueza diante dos guardas, Sasori sofre humilhação e tortura mais agressiva pelos guardas que tentam a todo custo rebaixar seu status. Durante o processo ela e outra prisioneiras conseguem fugir, iniciando uma fuga surreal pelo Japão rural.

  Provavelmente o filme de fuga de prisão mais bizarro já feito, esta continuação investe pesado no surrealismo, uma amostra do que liberdade criativa e imaginação podem fazer. É considerado por muitos o melhor da franquia.

  O filme me lembrou um pesadelo pela forma como se desenvolve,, utilizando bastante metáforas visuais e com momentos teatrais literalmente. A inventividade mantém a expectativa sobre o que vem a seguir, nem tanto em relação ao enredo mas simplesmente em relação a imagem.

  Aqui a tentativa de comentar a opressão masculina é bem mais explícita, talvez funcionando melhor pela redução na “exposição” das personagens. É também o filme onde a protagonista menos fala, com apenas uma curtíssima frase durante todo o longa.

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Joshuu Sasori – Kemono-Beya (女囚さそり けもの部屋) [1973]SONY DSC

  Sasori tenta agora recomeçar a vida numa cidade grande. Em fuga da polícia, encontra abrigo com uma jovem prostitua que mantém uma relação incestuosa com o irmão com problemas mentais. Além da polícia ela acaba se envolvendo com uma gangue cuja liderada por uma desafeta do presídio.

  Este é bem mais voltado ao drama, envolto numa atmosfera mais depressiva que os anteriores. Pena que falta aquela criatividade do anterior, além  do ritmo lento e história confusa não contribuirem. Ainda assim traz belas imagens

  Talvez seja o mais indigesto, com as cenas de sexo incômodas, aborto forçado e braços cortados, contribuindo para  a atmosfera sombria. Este é o último dirigido por Shunya Itou, sendo sensivelmente mais fraco que os anteriores.

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Joshuu Sasori – 701-Gô Urami Bushi (女囚さそり 701号怨み節) [1973]

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Em fuga da polícia Sasori é encontrada por Kudo, que trabalha numa casa noturna e tem ódio da polícia devido a torturas que sofreu no passado. Ele deseja unir-se a ela para vingar-se do detetive Hirose, responsável por seu rancor.

  Sob a direção de Yasuharu Hasebe, este  último longa é bem diferente dos outros,  com uma história mais voltada para um drama policial e um pouco mais convencional. Curiosamente, mesmo tendo o desenvolvimento mais convencional entre os 4, este exigiu mais suspensão de descrença, pois nos momentos cruciais ele repentinamente eleva o nível de absurdo.

  Aqui a Sasori me pareceu mais apagada, sem aquela intensidade que trazia nos filmes anteriores. O relacionamento dela com Kudo é meio estranho, apesar de ter até uma ideia interessante por trás.

  Este é o mais fraco de todos, encerrando a participação de Meiko Kaji na franquia de forma não tão gloriosa.

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  Influenciando diversos cineastas ao longo das décadas, inclusive o citado Quentin Tarantino, a franquia continua uma experiência interessante, embora não seja muito reccomendado para quem não suporta muita violência. Mas continua sendo uma bela demonstração de criatividade cinematográfica.

  Alguns remakes ou histórias afins foram produzidos nas décadas seguintes, o último deles em 2011, sendo em sua maioria mais voltados para  o lado erótico e menos audaciosos em estilo.

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2 comentários sobre “Joshuu 701-Gô:Sasori (女囚701号:さそり) [1972-1973]

  1. Interessante o tema abordado. Mas com certeza eu não assistiria. Talvez pela violência ou nudez. Não faz muito minha praia. Mas interessante ver a inspiração de Quentin Tarantino, que adora um sangue. Aliás, sabia que ele tem vontade de fazer uma versão hollywodiana de Battle Royale?

    Obrigada pelas constantes visitas e desculpa pelo sumiço.

    Até mais

    Curtido por 1 pessoa

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