20th Century Boys (20世紀少年)

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  A humanidade não teria não teria superado o desastre do final do século 20 se não fosse por “eles”. Em 1969, quando ainda eram crianças, “eles” criaram um símbolo. Em 1997, quando a crise se aproxima lentamente, o símbolo ressurgiu. Esta é a história de como um grupo de garotos comuns salvou o mundo. (Sinopse na capa da 1º edição brasileira do mangá).

   20th Century Boys é um mangá escrito e desenhado por Naoki Urasawa  (com a coautoria de Takashi Nagasaki na história), serializado originalmente na Big Comic Spirits de 1999 a 2006, reunidos depois em 22 volumes de tankobon. É um dos maiores sucessos do autor de Monster e Yawara, publicado atualmente no Brasil pela Panini Comics, com início em Setembro de 2012, com periodicidade bimestral e atualmente com o volume 12 nas bancas.

  O nome da obra é referência a música 20th Century Boy do lendário Marc Bolan, mais conhecido como o líder da banda percursora do glam rock T. Rex, que obteve estrondoso sucesso comercial no início dos anos 70. Quando criança o protagonista Kenji acreditava que o poder do rock n’ roll seria capaz de revolucionar o mundo, mas após as decepções com os sonhos na adolescência, ele leva uma vida bem comum tomando conta de sua mãe e sua sobrinha num mercadinho.

  A história começa em 1997, quando Kenji reencontra um símbolo criado por ele e seus amigos na infância, parte do “Livro da Profecia”, um “plano” imaginado por eles de como se daria o fim do mundo no ano 2000. Ao iniciar a investigação do significado daquilo, Kenji percebe que os acontecimentos descritos no livro começaram a ocorrer e há uma conexão com a seita liderada pelo misterioso “Amigo”. Velhos amigos se reencontram, na tentativa de lembrar o que continha o livro e quem seria o tal “Amigo”. Com o fim se aproximando, estes adultos comuns percebem serem os únicos capazes de fazer algo para impedi-lo.

   Os flashbacks são cruciais para a história, não somente um artifício para apresentar o enredo ou resolver pontas soltas. A trama gira em torno das consequências de nossos atos, e eles são essenciais nesta conexão dos personagens com a infância. A forma carinhosa e um tanto nostálgica como o autor traz o passado dos personagens é algo apaixonante, certamente meu aspecto preferido do mangá. As referências a cultura pop ocidental não se limitam ao título da obra, com filmes e músicas (dos anos 60 em especial) tendo importância durante a saga. Não faltam também referente ao oriente, ainda maiores por sinal.

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  A narrativa do mangá não é totalmente linear como pode aparentar no início, com pulos espaciais e temporais em momentos chave, além arcos protagonizados por personagens novos que aos poucos vão se encaixando na história, ora com papel forte ora como uma espécie de conto dentro no universo. Estas fórmulas se assemelham ao mangá Monster do mesmo autor, mas aqui o número de personagens e a complexidade da trama é bem maior. É evidente a qualidade do autor em criar personagens “humanos”, com defeitos e virtudes críveis, não apenas engrenagens da história. Os personagens centrais são a maior prova disso.

  Conforme o mangá avança há adição de diversos novos elementos que ampliam o número de mistérios mas sem muita resolução. Me vem a lembrança o polêmico seriado americano Lost, com o temor de 20th Century Boys levar a um final decepcionante de muitas pontas soltas e soluções pobres para os inúmeros mistérios, embora não tão fraco.

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  Se a história em si pode cambalear, o que não falta no mangá é ação e emoção. O autor certamente sabe criar uma atmosfera de suspense muito envolvente, conseguindo nos fazer esquecer da improbabilidade de resolução de certos mistérios centrais em diversos momentos. Horror, comédia e drama também marcam presença na história, e este balanceamento de gêneros ajuda a dar gás a série.

  Artisticamente o mangá é muito agradável, com o traço característico de Urasawa. Personagens são bem diferenciáveis e possuem um ar mais asiático que o usual. Os enquadramentos e sequenciamento de quadros são muito bem pensados, o que pode se perceber pelo sucesso em criar atmosfera e provocar emoção. Os planos de fundo retratam aparentemente com fidelidade as diferentes épocas, e considerando a aparente reverência pelo passado, acredito que um bom trabalho de pesquisa deve ter sido feito.

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  A Panini é responsável pelo lançamento da série aqui, e vale parabenizar pelo excelente glossário presente no fim das edições, ocupando em média 4 páginas com informações sobre as diversas referências da série, que vai dos anos 1960 aos 2000. Pena que não contém nenhuma página colorida.

  20th Century Boys está junto a Monster ente as melhores HQs atualmente em publicação no Brasil. Uma premissa instigante, personagens cativantes e atmosferas diferentes bem trabalhadas, se unem a um sentimento nostálgico e por vezes sombrio em relação a infância. Trata-se de uma obra bem acessível aos não interessados em mangás, fato comprovado pessoalmente.

  Uma série reunida em 2 volumes foi lançada em seguida, 21st Century Boys, que conta aparentemente a “ressaca” após a resolução da saga original. Não quis ler muito sobre para evitar spoilers. Existe também uma trilogia de filmes lançados entre 2008 e 2009 no Japão, dos quais não arrisquei nenhum para evitar spoilers.

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6 comentários sobre “20th Century Boys (20世紀少年)

  1. Nossa, eu amo tanto 20th Century Boys que até fica difícil explicar .. À começar por essa lindeza de arte, tipica do Naoki Urosawa, que chega a brilhar meus olhos. O mangá é mais cansativo do que o do Monster, mas o final compensa. Gosto das referências culturais, e da maneira como a história cria o seu clima de suspense. Claro que a enrolação irrita, mas eu vejo isso como uma forma de tentar explorar cada coisa, mesmo que haja momentos em que isso não funcione da forma como deveria. Porém, quando as coisas de fato funcionam, chega ser muito gratificante. É um drama simples e muito bobo, mas a narrativa dá aquela sensação de que; uma coisa muito bombástica está prestes a acontecer à qualquer momento. E eu gosto disso. Talvez seja por isso que 20th Century está entre meus mangás favoritos ❤

    Amei o post. 😉

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada e valeu pelo comentário 🙂
      Bom saber que o final não vai pro brejo. Drama ser bobo… Não sei, provavelmente. Acho que eu viajo tanto naquela onda nostálgica que acabo nem pensando nisso.

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  2. Eu li sobre 20th Century Boys em uma Neo Tokyo. Me interessei e quando saiu por aqui tratei logo de comprar. E não estou decepcionada. A história é boa e o autor consegue nos amarrar a ela de tal modo que é difícil explicar.

    Meus chefes leem o mangá também. E eles já assistiram ao live action, dizendo que se parece muito com o mangá, mas me disseram que pode sim ter spoiler à cerca de quem é o Amigo… que já está começando a dar alguns sinais….

    Até mais

    Curtido por 1 pessoa

  3. Sempre vi esse nome, 20th Century Boys. Passeando pela Internet e procurando algo aleatório para ler ou ver, por isso sempre quis saber sobre o que dizia a obra, mas também, sempre tive uma certa preguiça e acabou que nunca pesquisei sobre :T Os traços contribuíram para isso, tenho que admitir, sou muito presa aos mangás com aparência Shoujo. Mas seu post trouxe de volta minha expectativa sobre o mangá, vou procurar ler quando puder 😀

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