Kidou Senshi Gundam F91 (機動戦士ガンダムF91)

Mobile Suit Gundam F91 poster

   A famosa franquia Gundam, uma das mais famosas da cultura pop japonesa, teve início em 1979 com a série pra TV Kidou Senshi Gundam, criada e dirigida por Yoshiyuki Tomino. A obra revolucionou o o gênero mecha com o tratamento  mais realista dado aos robôs gigantes, a ciência e ao drama, inaugurando o subgênero conhecido como real robot. Desde seu nascimento a série possui diversas outras séries e foram criadas até o momento 7 cronologias diferentes desde a original, chamada de Universal Century (U.C.). Além de mechas, a franquia se baseia nos conflitos nascidos com a expansão da humanidade para o espaço, com a relação frágil entre a Terra e suas colônias espaciais servindo de motivo para aristocratas alimentados por ideais nobres em sua concepção tentem instalar novos regimes de governo.

  U.C. 0123. 30 anos de paz entre a terra e as colônias espaciais são interrompidos pelo ataque de uma nova facção chamada Crossbone Vanguard. O descaso da Federação da Terra com os habitantes do espaço permite a conquista quase imediata da colônia Frontier IV pela facção. Pego no fogo cruzado, o jovem Seabook Arno acaba se envolvendo no conflito assim como sua amiga Cecily Fairchild, cujo nome original é Berah Ronah, herdeira do clã aristocrata Ronah que comanda os Crossbone. Relutante, Seabook acaba tornando-se piloto do chamado “Gundam Formula 91” após descobrir que sua mãe que dava por morta havia trabalhado no projeto e ao perceber o quanto suas recém descobertas habilidades de Newtype podem ajudar a encerrar a guerra.

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  Quando a produção de uma nova série de Gundam foi interrompido devido a conflitos internos na equipe, já havia uma certa quantidade de trabalho realizado, com storyboards de 13 episódios prontos. Para não descartar todo o investimento, decidiu-se por transformar o projeto num longa-metragem.

  Escrito e dirigido pelo criador da franquia Yoshiyuki Tomino, também trouxe a volta do designer mecânico Kunio Okawara e o character designer Yoshikazu Yasuhiko, que participaram com Tomino da equipe do Gundam original e sua sequência Zeta Gundam. F91 foi planejado em comemoração aos 10 anos da franquia, introduzindo novos personagens e uma história mais desconectada de seus predecessores para atrair um novo público, embora faça parte da cronologia. A história se passa 30 anos após o longa-metragem Kidou Senshi Gundam: Gyakushū no Shā (Char’s Counterattack) de 1988, última obra da cronologia original na época.

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  O início do longa é promissor, com uma batalha mecha interrompendo subitamente um dia festivo dentro de uma colônia espacial. Os efeitos colaterais dela sobre os civis e a destruição da cidade são certamente algumas das cenas mais impactantes do longa, principalmente pela forma crua como ocorrem. Depois vamos sendo introduzidos a história, uma reimaginação do Gundam original, o que aliás é algo comum na franquia, recontar as mesmas história com alguns elementos diferentes. Se no início a narrativa parece apenas irregular, no decorrer do longa ela vai se tornando cada vez frágil, o maior ponto fraco de F91.

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  Condensar o enredo de 13 episódios de 20 min em 2h não é tarefa fácil, e a impressão de estar assistindo a um longo episódio de recapitulação se faz presente em certos momentos. O principal problema são os constantes pulos no tempo (principalmente na segunda metade), que numa tentativa de evoluir o enredo com rapidez e inserir o máximo de informação possível, acaba deixando a compreensão prejudicada. Imagino a frustração de ver um filme assim no cinema, sem a possibilidade de parar e voltar para juntar os fragmentos de cenas. O elenco grande e excesso de histórias paralelas não ajuda, com personagens apresentados para logo serem esquecidos, outros ficam tanto tempo desaparecidos para voltar repentinamente com um papel crucial na trama, além dos que são citados (as vezes com alguma função importante) mas aparecem unicamente no momento de cumprir sua finalidade. Os protagonistas e antagonista não escapam do desastre que é a narrativa, com pouquíssimo tempo para desenvolvimento.

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  É possível compreender ao longa se assisti-lo com calma, mas é difícil criar empatia com os personagens e se envolver na trama, que desperdiça ideias e dramas interessantes no processo. A proposta deste Gundam era ter o drama familiar como enfoque, e embora seja possível percebe-lo, é trabalhado com tanta pressa que realmente pouco se pode aproveitar. Talvez quem mais tenha ganho nessa confusão seja Seabook Arno, que não teve tempo de tornar-se irritante como costumam ser os protagonistas de da franquia, principalmente das séries realizadas por Tomino.

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  Felizmente o anime não é só confusão, com um visual recheado de momentos ou detalhes agradáveis, especialmente durante as cenas de batalha do início e conclusão, com destaque ainda para as explosões quase “minuciosas” dos robôs. O design dos mechas é interessante, seguindo o padrão de qualidade das sagas anteriores, mas com um certo tom fantasioso com o Gundam de “asas” e mechas com lança. Sou fã da arte de Yoshikazu Yasuhiko, e vê-la em “qualidade de cinema” realmente foi uma ótima experiência. A trilha sonora acompanha o tom épico do material, com destaque para a música incidental Eternal Wind ~ Hohoemi wa Hikaru Kaze no Naka interpretada por Hiroko Moriguchi e algumas músicas altamente inspiradas nas composições de John Williams em Star Wars.

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  Tenho uma queda por projetos tão falhos quanto este, com suas ideias interessantes mal executadas, logo acabei criando um carinho por F91. De certa forma ele serve como rápida introdução ao universo de Gundam, possuindo os elementos fundamentais da franquia como os horrores da guerra, aristocracias com tendência fascista, intrigas políticas, armas de destruição em massa, colônias espaciais e os Newtypes (pessoas com poderes psíquicos nascidas no espaço).

  Há 2 adaptações da história, os romances escritos pelo próprio Tomino, que contam de modo mais detalhada a história, e um mangá de Daisuke Inoue, ambos mais coesos que o filme. O final do longa-metragem denuncia que havia a vontade de continuar a história, que só teve teve sequência em 1994 no mangá Crossbone Gundam de Yuichi Hasegawa (o único quadrinho de Gundam com participação direta de Tomino), que se passa 10 anos após o ocorrido em F91.

Gênero: Sci fi/Mecha/Drama/Ação
Formato: Longa-metragem
Duração: 115 min
Direção: Yoshiyuki Tomino
Estúdio: Sunrise
Ano: 1991

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Referências:

Wikipédia (Não me agrada usar Wikipédia, mas não tive muita opção neste caso): http://en.wikipedia.org/wiki/Mobile_Suit_Gundam_F91

AnimeNewsNetwork (sinopse adaptada e traduzida daqui): http://www.animenewsnetwork.com/encyclopedia/anime.php?id=1402

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Um comentário sobre “Kidou Senshi Gundam F91 (機動戦士ガンダムF91)

  1. Interessante esse longa. Pena que transformar algo que deveria ter 13 episódios em um filme não tenha sido lá a melhor das ideias. Ou nesse caso, teriam que ter repensado melhor em como adaptar essa quantidade de episódios num único só. rsrsrsrs
    Incrível como tenho grande vontade, mas ainda não assistir a nenhum anime de Gundam. E pensar que na época que passou na tv a cabo, minha família não tinha condições de ter tv por assinatura, na época que eu achava ser coisa de rico. rsrsrsrs

    Belo texto.

    até mais

    Curtir

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